segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Carta ao Papai Noel

   Caro bom velhinho,
   Este foi um ano um tanto quanto atípico, de muitas surpresas boas, porém de muitos aborrecimentos.
  Acredito que você saiba do que estou falando, né Seu gordinho?!
   Eu havia te pedido paz, saúde e amor, dentre outras coisas. Lembra-se? Pois bem! Agradeço-o por ter me dado tudo isso em abundância, mesmo que em alguns momentos um deles me tenha faltado, e eu me abalado, tendo perdido um pouco da minha paz.
   Então Sr. do nariz vermelho! Em alguns momentos desse ano me senti esquecida, magoada e até rejeitada, sabe?! Em alguns dos meus dias, me faltaram confiança, sorte e determinação. Desculpe-me, foi mais forte do que eu!
  Nos momentos em que tudo me parecia escuro, senti dores. Senti-me doente por mim e pelos outros, por dentro e por fora.   Vi a família passar mal unida depois de comemorar, mas relevei, pois no final, tudo acabou sendo muito engraçado.
  A cada mês que passava, surgiam novos obstáculos e tive que aprender a conviver com coisas que até então não me lembrava já ter vivido.
  Aprendi que o amor não depende de sangue, ou de quem gera, mas sim, da persistência e da boa-vontade daqueles que abraçam com o mesmo carinho e afeto os seus ou um alguém que um dia nem sabiam que existia. E foi aí que também aprendi que não somente os antibióticos saram os feridos, mas também e principalmente o amor.
  Vi que quem sonha uma hora ou outra terá seu sonho realizado. Foi a partir daí que também aprendi a distância que há entre Brasília e o Acre.  E aprendi o que podem a determinação e a coragem fazer na vida de alguém.
  Ainda este ano, aprendi que o mundo dá muitas voltas e que de vez enquando é preciso recomeçar do zero: do zero - emprego, do zero - dinheiro, do zero - independência.  Essa etapa foi difícil, quase desisti! Mas me mostraram que a compaixão e a amizade não somente estreitam os laços, mas também nos fortificam; faz-nos renascer, curando-nos a alma.
  Pude enxergar claramente que ainda que sejam da mesma família, as pessoas nunca concordarão em tudo. Aprendi que não terei afinidade com todos, que não conviverei todos os dias com todos, que não contarei todos os meus segredos a todos, e nem todos eles me contarão os seus.  Eu aprendi que isso não é feio, e que a tolerância e a paciência não nos deixam renegar a ninguém, pois os laços de amor são mais importantes que conviver com a perfeição. Primeiro porque ela não existe, e segundo, porque o aprendizado não acontece com as semelhanças, mas sim com as diferenças.
  Aprendi que cuidar da saúde física é tão importante quanto cuidar da saúde espiritual e que o corpo dá sinais quando não se sente bem, principalmente quando não se tem mais 40 anos.  Com os tais sinais, aprendi que médicos e cirurgias ajudam, mas que o quê realmente cura é o amor de uma família unida.
  Pois é, meu caro Sr. Noel! Tive que me desviar de muitos obstáculos. Foi dolorido, às vezes, quase insuportável, mas eu sobrevivi. Pra mim, o que fica é a sabedoria que adquiri, pois a força que hoje vem de mim é bem maior do que já foi.
  Por isso, velhinho de barba branca, agradeça ao seu mentor aí e diga a Ele que valeu à pena ter deixado de trocar o carro, não ter feito a viagem idealizada e/ou não ter aumentado o faturamento anual. Conquistei coisas bem mais importantes em minha vida: a certeza de ter a melhor família do mundo; que isso já é o bastante para me considerar uma pessoa abençoada, e que nada nunca foi e nem será mais forte do que esse sentimento pleno de realização por estar nessa Família.
  É com essa família do jeito que é que me tornei, depois desses quase 365 dias do ano, uma pessoa mais forte, mais confiante e mais determinada, e certa de que por eles vale à pena viver cada segundo dessa minha vida.   

Escrito por Karênina Michelle e Silva Viana às 02h25 AM, do dia 15 de Novembro de 2010.        


                                                    

2 comentários:

Juliana Oliveira disse...

Que liiindo! Estou voltando com forla total. Muita grra e sonho! Enormes Bjus, Juh

Bell Ferreira disse...

Sempre podemos aprender com os obstáculos e batalhas... Por mais dolorido que seja, sempre existe a luz no fim do túnel, e as pessoas maravilhosas ao nosso lado que nos ajudam a enfrentar o que for preciso.

Lindo! Beijos.