domingo, 21 de fevereiro de 2010

Pedido á Solidão.

“Arrefecida, beneficio-me da harmonia entre o que é pensamento, e o que é desejo.
 Afortunada noite, que permanece copiosa, opulenta mesmo depois de contida.
 O tempo parece-me perdurar e nada então se desfaz.
 Tomo-me de pensamentos.

 De olhos fechados, planeio, perco-me em transpassadas lembranças.
 Alvitres que carrego no íntimo, desejosa de que fossem vindouras; anuída de que pudessem ser ainda mais avassaladoras.

Ouça-me:
“Noite de umidade fina, fria e penetrante.
  Noite abrasadora, que se sobressai.
  É em ti que deposito minha volubilidade.
  Eis-me aqui, insolente, pensante: será ele?!”

 Desatino-me por entre suspeitas, pois já não sei o quê se foi e nem o que virá.
 Nesse instante, prefiro não abster-me: prolongo o doce e suave gosto deste encontro em minha impetuosa pressa de amar.
 Se isso não for amor, apetecer-mo-ei furiosa, arrebatada, desanimada.
 Quase definhada.

 E tu, solidão, se ainda em mim quiseres morar que saibas: eu nasci pra amar.
 Então te sugiro - aquela que me acompanha -: Devora-te de mim!”

2 comentários:

Débora disse...

"E tu, solidão, se ainda em mim quiseres morar que saibas: eu nasci pra amar."
Essa frase resume muitas coisas. Ninguém nasceu para ficar sozinho. AMAR, uma palavra tão pequena e ao mesmo tempo doce e singela. =)

Rafael Gomes disse...

É, solidão é Algo complicado!
O que realmente mata ela é a presença os amigos!